DRA. SONIA MACHADO CANDIDO - PSICOLOGA

 

IDEOLOGIA DE GÊNERO

Ideologia

Em um sentido amplo significa aquilo que seria ou é ideal.

Este termo possui diferentes significados, sendo que no senso comum é tido como algo ideal, que contém um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas ou visões de mundo de um indivíduo ou de determinado grupo, orientado para suas ações sociais e políticas, podendo ser um instrumento de dominação que age por meio de convencimento; persuasão, e não da força física, alienando ou não a consciência humana.

Gênero

Pode ser definido como aquilo que identifica e diferencia os homens e as mulheres, ou seja, o gênero masculino e o gênero feminino.

Ideologia de gênero

A ideologia de gênero ou a “ideologia da ausência de gênero”, como também ficou conhecida, é a ideia de que a sexualidade humana seja parte de “construções sociais e culturais” e não um fator biológico.

Desconstrução

Do ponto de vista de alguns cientistas sociais e de certos psicólogos, porque existem vários olhares com relação a esta terminologia, como por exemplo, Gênero como uma variável Binária; Gênero como Papéis Dicotomizados; Gênero como uma Variável Psicológica; Gênero como Tradução de Sistemas Culturais e Gênero como Relacional, a teoria de gênero resulta de um diálogo com o pensamento social, em suas diferentes abordagens. A incorporação dessa teoria nas Ciências Sociais e na psicologia é efetivada pela utilização cada vez mais recorrente de seus principais conceitos – gênero, relações sociais de sexo, patriarcado, dominação masculina – e pelas implicações que os acompanham.

A meu ver, a principal implicação e a mais polemizada se encontra na problemática da identidade de gênero que remete à questão de subverter a ordem da natureza e dignidade que lhe é própria, afetando a compreensão da família e de família, e que vem buscando “formatar” o entendimento das crianças e dos adolescentes no sentido de levá-los a crer que quando nascem não devem ser consideradas do sexo masculino ou feminino, mas somente “uma pessoa do gênero humano”, onde mais tarde poderão fazer a escolha do seu próprio sexo.

Esta visão confeccionada nas malhas artificiais de um discurso sem “sujeito”, coisificando o Ser para se alinhar a este pensamento, é uma abordagem de uma consciência infeliz. É como querer negar a lei da gravidade. É seguir esquecendo, desrespeitando e mascarando uma lei divina (Deus praticamente disse: vou criar para o homem uma mulher (1)), bem como uma lei original (o mito do pai da horda - o pai primevo ou primitivo (2)) inconscientemente internalizada permitindo não só o acesso ao objeto, como uma identidade sexual, e a constituição do laço social. Através desse mito, Freud introduz o Pai simbólico que dita os códigos da Lei moral e que funciona como aquele que reforça as exigências do supereu, através do cumprimento dos mandamentos e das regras sociais.

A ideologia de gênero é aqui colocada em questão sobre a sua pertinência, porque leva à perda desta autoridade paterna (familiar), um lugar autentico constituído por Deus, desconsiderando o estatuto biológico, desprezando as diferenças dos sexos e suas bases, tanto biológicas quanto psicológicas, pois esta linha de raciocínio onde o próprio nome “ideologia” aponta para o que não há plausibilidade, não passa de devaneios inconsistentes por parte de seus defensores, por não existir uma realidade que fundamente cientificamente esta ideologia.

E nessa paixão da ignorância, muitos respondem à esta ferocidade sem se questionar sobre os riscos e os malefícios dessa ideologia, que não passa de uma projeção inconsciente de idealistas formados por uma estrutura perversa, com propostas em nome de um ideal imaginário, um jogo de forças introduzindo um conflito de natureza sexual – conflitos sexuais atuais e de vivências anteriores.

Não há como negar em Freud que “a anatomia é o destino (3)”, mas é a representação psíquica que vai determinar o sexual do homem e da mulher. Nascer do sexo masculino ou sexo feminino é uma questão biológica, mas ser homem ou mulher é uma questão de representação psíquica que nada tem a ver com ideologia de gênero. É a passagem pelos complexos universais (Complexo de Édipo (3) e Complexo de Castração (4)) que determinarão a nossa representação quanto ao gênero. Nessa perspectiva, “feminilidade” e “masculinidade” passam então a ser duas representações do “falo (5)”, fazendo com que a identidade do sujeito seja da ordem do significante. É a partir da inscrição na função fálica que o sujeito se posicionará no simbólico como homem ou mulher. Na grande maioria dos casos, essa inscrição coincide com a anatomia.

Referência Bibliográfica:

  1. Bíblia Sagrada. Gênesis 2:18, (versão atualizada João Ferreira de Almeida)
  2. (2) FREUD, Sigmund. (1913), “Totem e Tabu”, E. S. B, 1976, XIII pg. 135 a 159
  3. (3) FREUD, Sigmund. (1924), “A Dissolução do Complexo de Édipo”, E. S. B, 1976, XIX, pg. 222.
  4. (4) FREUD, Sigmund. (1925), “Algumas Consequências Psíquicas da Distinção Anatômica entre os Sexos”, E. S. B, 1976, XIX, pg. 309 a320.
  5. (5) LACAN, Jacques. (1958/1998) "A significação do falo", in Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, p.92-703.
  • Dra. Sônia Machado Candido - Psicóloga –
  • Psicanalista – Pastora – Capelã
  • Especialista em Psicopatologia e Psicologia Clínica